A Decis√£o

Muitos me perguntam como e quando eu me interessei por um estilo de vida mais saud√°vel, uma alimenta√ß√£o natural e em que momento surgiu minha paix√£o pela cozinha. Tudo come√ßou quando decidi praticar yoga em 2004. Eu tinha 14 anos e levava uma vida t√≠pica de adolescente carioca da zona sul: escola, praia, cinema, teatro, basquete, v√īlei, festas, etc. Com a yoga e o livro ‚ÄúA Autobiografia de um Yogui‚ÄĚ do Paramahansa Yogananda, eu ganhei consci√™ncia corporal e uma nova vis√£o de mundo. Essa consci√™ncia corporal me fazia perceber como a comida afetava e influenciava a minha vida, f√≠sica e mentalmente. Dependendo do que eu comida, o meu humor, foco, determina√ß√£o, concentra√ß√£o e pratica variavam. E eu fui naturalmente evitando alimentos que me prejudicavam. Ent√£o eu conclui que a alimenta√ß√£o mexia com o meu corpo, mente e espirito e precisava entender melhor essa conex√£o entre alimenta√ß√£o e comportamento.  Por isso me apaixonei pela nutri√ß√£o. Comecei a olhar a comida como uma forma de tratamento, preven√ß√£o e cura de doen√ßas.

J√° com 18 anos fui morar em Nova York, com um olhar mais alternativo e saud√°vel em rela√ß√£o √† alimenta√ß√£o e percebi que para comer bem o melhor jeito seria preparando minha pr√≥pria comida. Cozinhei o meu primeiro feij√£o e me apaixonei pela culin√°ria. E ent√£o me vi com duas grandes paix√Ķes na vida, a culin√°ria e a nutri√ß√£o, e resolvi me aprofundar nas duas. Fiz um curso de culin√°ria natural no Natural Gourmet Institute, depois me matriculei num curso de nutri√ß√£o ayurvedica tamb√©m em NY, estudei com o professor Tomio Kikuchi em S√£o Paulo e finalmente fiz a faculdade de nutri√ß√£o na Hunter College em NY.

Agora estou morando de volta no Rio e apresentando o Bela Cozinha, um programa de culinária natural no canal GNT onde tento mostrar às pessoas que podemos ter uma vida saudável e sustentável através da alimentação. Quero mostrar que a comida vai além do que está no seu prato, que a comida pode ser uma ferramenta de mudança politica, social, ambiental e de saudabilidade.

 

 

Recife, Cheguei!

Vim pra Recife pra fazer um Spa e me encantei com a diversidade gastron√īmica da cidade, desde caldinho de caldeirada a folha de arroz. Minha primeira parada foi no mercado de S√£o Jos√© onde encontrei frutas incr√≠veis que nunca tinha vista ou at√© mesmo ouvido falar como pitomba, maca√≠ba e cajaranga. Al√©m das frutas que amo mas s√£o dif√≠ceis de encontrar no Rio onde moro. Como por exemplo pitanga, umbu-caj√°, mangaba, saputi e noni (essa fruta √© t√£o especial que devo um post s√≥ para ela).


Outra coisa que me chamou a aten√ß√£o foi a m√°quina de ralar o coco. √Č como se fosse um espremedor de laranja gigante. Vou postar o v√≠deo dele no instagram para voc√™s verem a praticidade. Martelos, nunca mais! Mas como a m√°quina √© grande pra levar na mala, comprei um ralador de coco caracter√≠stico daqui de Pernambuco.

Ao redor do mercado, na rua da Praia achei uma loja de produtos naturais boa demais, chamada Emp√≥rio Pura Vida. Josias, o dono, foi muito querido e me apresentou alguns de seus produtos especiais e fiquei encantada. Uma delas √© a am√™ndoa torrada na casca. Nunca tinha visto nem pensado na ideia de faz√™-la assim. Adorei! Lembrei muito do pistache e daquele ritual de quebrar a casquinha pra comer. √Č uma √≥tima op√ß√£o para o lanche da tarde, porque voc√™ acaba n√£o comendo tantas am√™ndoas como as que j√° vem descascadas.

H√° um tempo escrevi um post, no blog antigo, sobre a pasteuriza√ß√£o das am√™ndoas nos Estados Unidos. Agora, estou pesquisando mais sobre elas aqui no Brasil para poder dividir com voc√™s informa√ß√Ķes relevantes √† nossa sa√ļde.


No dia seguinte da minha chegada, √†s 5 horas da manh√£ j√° estava no meio de frutas e verduras na feira org√Ęnica de Boa Viagem. Achei o hor√°rio meio cedo, mas quando cheguei l√° percebi que os Recifenses n√£o est√£o de brincadeira quando o assunto se trata de org√Ęnicos. A feira j√° estava lotada e depois de 2hs n√£o tinha mais nada!!! Para quem acha que esses produtos t√™m pouca diversidade e s√£o caros, um tour na feira pode provar o contr√°rio. L√° encontrei azedinha, manjeric√£o roxo, couve chinesa e muito mais, cada um por 2 reais.


Guia Alimentar Para a população brasileira

Tenho recebido muitos emails e pedidos de dicas de livros sobre sa√ļde, nutri√ß√£o e culin√°ria natural. Portanto, resolvi fazer uma pequena lista de livros que gosto muito para repassar a vcs e percebi que a maioria deles s√£o americanos, mas mesmo assim vou post√°-los em breve. Mas fiquei muito contente quando li o documento com a nova proposta para o “Guia Alimentar para a Popula√ß√£o Brasileira” desenvolvido pelo Minist√©rio da Sa√ļde. Achei o guia completo e com excelentes recomenda√ß√Ķes para um estilo de vida saud√°vel e sustent√°vel.

O novo guia come√ßa explicando os princ√≠pios para uma alimenta√ß√£o saud√°vel, dando recomenda√ß√Ķes gerais sobre como e porque comer bem al√©m de dar dicas de como preparar, armazenar e lavar os alimentos e o melhor modo de consum√≠-los.

Uma das frases do guia que vale destacar √©: “Fa√ßa de alimentos a base da sua alimenta√ß√£o”. Sempre gostei de enfatizar o h√°bito de comermos comida de verdade, porque o resto pra mim, s√£o produtos maquiados de alimentos. Produtos ultra-processados podem at√© matar a fome mas n√£o nutre ningu√©m!!

Tamb√©m gostei de ver que o guia toca bem no assunto de sustentabilidade e conscientiza√ß√£o ambiental e com isso faz o leitor refletir melhor sobre suas escolhas alimentares. Eu acho que n√£o adianta s√≥ comer saud√°vel, tem que SER saud√°vel. Por isso √© bom pensar que nossa sobreviv√™ncia depende de um conv√≠vio harmonioso com a natureza e os animais. Temos que comer saud√°vel para manter nossa sa√ļde individual e da sociedade, como tamb√©m para conservar o meio-ambiente.

O guia explora tamb√©m o aspecto social da alimenta√ß√£o e nutri√ß√£o que por diversas vezes √© esquecido pelos profissionais da sa√ļde. Temos que valorizar os produtores que com carinho e conhecimento colocam produtos org√Ęnicos e naturais no nosso prato!

Palmas para todos os envolvidos no belo trabalho e para a coordenadora de Alimenta√ß√£o e Nutri√ß√£o do Minist√©rio da Sa√ļde, Patr√≠cia Jaime.

O documento est√° em consulta at√© o dia 7 de maio e todos podem opinar e mandar suas contribui√ß√Ķes! O Guia est√° dispon√≠vel no portal do Minist√©rio ou AQUI. 

Esse guia me trouxe esperan√ßa de uma conscientiza√ß√£o coletiva sobre alimenta√ß√£o saud√°vel e sustent√°vel do povo brasileiro. Estou torcendo para que seja aprovado e finalmente termos um bom guia alimentar a m√£o de todos e melhorar a sa√ļde do pa√≠s. 

Boa Leitura!

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Comer com fome

No √ļltimo programa do Bela Cozinha com meu querido amigo, Z√© Pedro, discutimos o consumo excessivo do sal j√° que a dieta dele √© baseada em comida feita fora de casa e industrializados: as maiores fontes de s√≥dio dos Brasileiro. Tamb√©m tocamos brevemente na quest√£o de comer de 3 em 3 horas e por isso gostaria de escrever um pouco mais sobre esse o assunto que tanto gosto!!! 

Como muitos nutricionistas apontam, o objetivo principal de comer de 3 em 3 horas é para acelerar o metabolismo e assim fazer com que o corpo queime mais calorias ajudando, teoricamente, no emagrecimento.

Primeiramente minha nutri√ß√£o √© focada na sa√ļde e bem estar, e n√£o apenas no emagrecimento. A perda de peso √© sempre uma consequ√™ncia de uma alimenta√ß√£o saud√°vel e balanceada para quem est√° a cima do peso. Segundo, acredito que todos devem respeitar o pr√≥prio corpo e , apenas ajustando a dieta e estilo de vida para se adequar ao tipo de metabolismo que tem.

Ser√° que todos n√≥s precisamos ou queremos acelerar o metabolismo? Comer de 3 em 3 horas √© bom para quem sente fome nesse per√≠odo de tempo, tamb√©m para quem tem problemas metab√≥licos ou que realizam trabalho f√≠sico intenso (diab√©ticos, atletas, bombeiros…).

Por que comer quando não sentimos fome? Por que beber água quando não sentimos sede? (ao contrário do que muitos pensam, nosso mecanismo de sede entra em ação muito antes de ocorrer desidratação). Devemos nos conectar mais profundamente com nossos sensores fisiológicos e respeitá-los. Mais importante do que a frequência com que ingerimos o alimentos é a sua qualidade. Pessoas com o metabolismo lento, geralmente se dão melhor com uma dieta rica em vegetais, proteína e algum carboidrato. Já alguém com o metabolismo mais acelerado, se sente melhor com uma dieta rica em carboidratos. E indivíduos que queimam calorias numa velocidade razoável, tende a se manter saudável e no peso ideal com uma dieta equilibrada entre carboidratos e proteínas.

Um dos motivos pelo qual a mulher vive mais do que o homem √© por causa do o seu metabolismo mais lento. Se observamos o mundo animal, os roedores, por exemplo, t√™m o metabolismo super acelerado e vivem apenas alguns anos. J√° as tartarugas com o metabolismo mais lento, podem chegar a viver dezenas de anos.  Ent√£o, por que fazer uma pessoa de metabolismo mais lento comer mais frequentemente? Para acelerar a m√°quina e ela pifar mais rapidamente?

Cientistas já concordaram que a chave para a longevidade está numa dieta hipocalórica. Quem come menos vive mais e quem come menos tem um metabolismo mais lento! No entanto, não vejo necessidade de acelerar o metabolismo. Comer quando estamos com fome, podendo ser de 3 em 3 horas, 4 em 4 , 5 em 5, é o mais importante. Além de nos sentirmos melhores, damos mais chance pro corpo eliminar toxinas e queimar as reservas de gordura! E para finalizar, quem nunca fez um jejum que experimente. Acredito que você irá se sentir muito bem como poucas vezes se sentiu na vida!!!

 

 

Estrog√™nio e o C√Ęncer de Mama

H√° muitos fatores que contribuem para o desenvolvimento do c√Ęncer, mas um fator particularmente importante para as mulheres √© o desequil√≠brio hormonal. Principalmente o desequil√≠brio entre a progesterona e o estrog√™nio que podem causar v√°rios tipos de c√Ęncer do sistema reprodutor feminino (mama, √ļtero e ov√°rio). Estrog√™nio e progesterona em desequil√≠brio tamb√©m podem desempenhar um papel no desenvolvimento do c√Ęncer em homens, especialmente o c√Ęncer de pr√≥stata. Mas para a mulher, o desequil√≠brio hormonal pode ser um fator muito mais agravante no desenvolvimento de um c√Ęncer do que para o homem. Isso por causa do ciclo de vida da mulher que naturalmente mexe muito com o equil√≠brio hormonal.

Em geral, 10 a 15 anos antes do in√≠cio da menopausa, a produ√ß√£o de progesterona come√ßa a cair. E continua caindo no per√≠odo p√≥s menopausa. J√° os n√≠veis de estrog√™nio, n√£o diminuem muito durante os anos que precedem a menopausa. S√≥ quando a mulher atinge a data da √ļltima menstrua√ß√£o √© que o n√≠vel de estrog√™nio cai brutalmente. Mas mesmo assim o estrog√™nio continua mais elevado que a progesterona.

Quando as mulheres desenvolvem um desequil√≠brio entre esses dois horm√īnios, √© quase sempre os n√≠veis de estrog√™nio, que s√£o elevados. √Č muito raro de acontecer o contr√°rio. Nos anos de p√≥s menopausa a mulher pode sofrer com os sintomas da queda de estrog√©nio, ondas de calor, depress√£o, confus√£o mental, pele seca, secura vaginal, baixo libido e ins√īnia. Mas at√© mesmo com o n√≠vel de estrog√™nio baixo, ele continua mais alto que a progesterona .

E agora, vcs devem estar se perguntando qual é o problema das taxas de estrogênio, serem mais elevadas que a da progesterona?

O estrog√™nio tende a estimular o crescimento das c√©lulas, o que pode aumentar o risco no desenvolvimento do c√Ęncer. Essa caracter√≠stica do estrog√™nio de promover o crescimento do c√Ęncer j√° √© aceita pela comunidade m√©dica e √© a raz√£o pela qual a maioria dos m√©dicos, hoje, se recusam a prescrever estrog√™nio para aliviar os sintomas da menopausa nas mulher com c√Ęncer.

E como o estrog√™nio promove o crescimento de c√©lulas cancerosas? Ele ativa um gene nas c√©lulas, chamado Bcl-2, que estimula o crescimento do c√Ęncer. A progesterona, por outro lado, desativa o Bcl – 2 e ativa um outro gene na mesma c√©lula, o p53, que inibe o crescimento de tumores. Quando o p53 √© ativado, ele retarda a reprodu√ß√£o celular e restaura a morte celular programada (apoptose). Assim, o estrog√™nio tende a estimular o crescimento celular descontrolado das c√©lulas, pela ativa√ß√£o do gene de Bcl – 2 e progesterona tende a impedir o crescimento desregulado das c√©lulas atrav√©s da ativa√ß√£o do gene da p53 .

Entenderam o problema?

E hoje, tem mulheres saud√°veis fazendo testes para ver se tem o gene Bcl-2 e caso positivo, algumas delas decidem retirar as mamas para prevenir o c√Ęncer. No ano passado a atriz pop americana Angelina Jolie, foi uma delas e fez a mastectomia preventiva. Na minha opini√£o, esta √© a maneira mais extrema e invasiva de preven√ß√£o ao c√Ęncer de mama. Esses fatores gen√©ticos s√≥ predisp√Ķem algumas mulheres ao desenvolvimento do c√Ęncer de mama, isso n√£o garante que a doen√ßa vir√° a ocorrer! E h√° outras maneiras de preveni-la como checar sempre os n√≠veis de estrog√™nio no sangue, fazer o exame da mama com frequencia e n√£o comer alimentos que promovem o aumento da taxa de estrog√™nio como leite e seus derivados, carne vermelha e a soja n√£o fermentada.

Dica de Livros


Tenho recebido muitos e-mails de pessoas, interessadas em culinária e nutrição natural, perguntando sobre dicas de livros para uma boa introdução a esse assunto. Então, gostaria de compartilhar alguns desses livros e autores com vocês.

A Arte Fundamental da Vida

Um livro com receitas b√°sicas para uma alimenta√ß√£o focada na sa√ļde! Com ele, voc√™ aprende a fazer o sagrado arroz integral de cada dia, pratos especiais super saborosos, al√©m de descobrir algumas sa√≠das saud√°veis para os lanchinhos da tarde.

O livro foi escrito pela Bernadette Kikuchi, companheira do Professor Tomio Kikuchi, o mestre da macrobiótica no Brasil. A Arte Fundamental da Vida contém receitas baseadas na dieta macrobiótica, então tem um tempero bem japonês, saudável e muito gostoso.

 Macrobi√≥tica Zen

Super importante para aprender a base da Macrobi√≥tica que ajuda a recuperar, manter e fortalecer a sa√ļde. Escrito por George Oshawa, considerado o respons√°vel por disseminar esse estilo de vida no ocidente. No livro, voc√™ encontra os pilares dessa filosofia, desde o conceito alimentar at√© o comportamental. E a base para isso est√° na harmoniza√ß√£o das energias Yin e Yang do nosso corpo com o ambiente externo.

Só Para Mulheres

Um manual ou livrinho de cabeceira para todas as mulheres que se preocupam com sua sa√ļde e bem estar. Com uma linguagem super divertida, a autora Sonia Hirsh faz a mulher entender, amar e respeitar o seu pr√≥prio corpo, do jeitinho que ele √©. O livro aborda temas como menopausa, TPM, dist√ļrbios hormonais, osteoporose, hipertens√£o, hipoglicemia e como uma alimenta√ß√£o saud√°vel pode ajudar a equilibrar as mudan√ßas naturais do nosso corpo. Eu adoro e admiro a Sonia Hirch e venho acompanhando o trabalho dela h√° alguns anos. Vale muito a leitura deste livro!

Conscious Eating

Esse livro fala a respeito do princ√≠pio da dieta individualizada. Ele ajuda voc√™ a encontrar a dieta mais adequada para o seu corpo, analisando fatores como: metabolismo, idade, estado de sa√ļde, entre outros.

O autor explica as fun√ß√Ķes de cada nutriente essencial ao nosso organismo, mostrando os efeitos decorrentes da defici√™ncia de cada um. O livro, que pode ser encontrado em espanhol, apresenta algumas filosofias alimentares como a ayurvedica, macrobi√≥tica e crudivorismo, al√©m de indicar receitas deliciosas e saud√°veis. N√£o se preocupem que os ingredientes s√£o f√°ceis de achar os ingredientes das receitas aqui no Brasil.

Pakriti

Para quem caiu de paraquedas no universo holístico, esse livro é fundamental. Ele explica super bem a base da medicina Ayurvédica. Com uma linguagem simples, encontramos no livro dicas de como conhecer melhor o próprio corpo e quais tipos de alimentos são mais adequados para o seu tipo de constituição (Vata, Pitta, Kapha).

O Dr. Robert Svoboa, o qual tive o grande prazer de conhecer brevemente em NY, é um grande sábio dessa filosofia e propaga a mesma com carinho e determinação.

Food And Healing

Este livro foi escrito pela fundadora, a Dra. Annemarie Colbin da escola de culinária que cursei em Nova York, o Natural Gourmet Institute. Com uma história de vida fantástica, e se baseando no seu conhecimento e experiências de, a Dra. Colbin escreveu um livro completo sobre culinária e nutrição saudável.

Você encontra temas como: o que é uma culinária saudável, a lei das energias nas comidas, as dietas alternativas dos dias de hoje (por exemplo: dieta da proteína, vegana, macrobiótica, etc) e as melhores maneiras de mudar a alimentação para construir uma alimentação saudável e como usar a alimentação como medicina.

Autocontroleterapia

Eu n√£o viajo sem esse livrinho m√°gico onde cada p√°gina tem um novo ensinamento n√£o s√≥ para o corpo, mas tamb√©m para a mente. Escrito pelo professor Tomio Kikuchi, o livro apresenta dicas de uma alimenta√ß√£o b√°sica e tratamentos caseiros, n√£o invasivos, para as principais doen√ßas do mundo de hoje como c√Ęncer, doen√ßas card√≠acas, do aparelho circulat√≥rio e respirat√≥rio, gastrite, hipertens√£o, diabetes, entre outras. O livro tamb√©m fala a respeito da sa√ļde da crian√ßa, abordando temas desde a √©poca do desmame, doen√ßas na passagem de crian√ßa para adolesc√™ncia como tamb√©m afec√ß√Ķes em geral: diarreias, c√≥licas, desidrata√ß√£o e outras.

Ch√°s, emplastros e mochabust√£o s√£o apenas alguns dos tratamentos, que o professor sugere, para recuperar o bem-estar.

Healing With Whole Foods

Como o nome j√° diz, o livro nos ajuda a achar curas e tratamentos para as diversas mazelas do mundo moderno com o poder dos alimentos. Nesse livro, o professor Paul Pitchford integra os ensinamentos m√©dicos do oriente e ocidente, nos mostrando solu√ß√Ķes para um vida saud√°vel. O livro explica a teoria dos 5 elementos da medicina tradicional chinesa, a influencia das energias yin e yang no nosso corpo, os benef√≠cios da alimenta√ß√£o crua e outros conceitos de uma alimenta√ß√£o saud√°vel e tratamentos alternativos. √Č um livro excelente para todos os interessados numa nutri√ß√£o saud√°vel e hol√≠stica.

Jejum

O jejum √© uma das melhores formas de desintoxica√ß√£o e cura! Quem se interessar pela informa√ß√£o, deve procurar saber mais sobre o assunto. Pe√ßa conselho para um bom profissional de sa√ļde, leia a respeito e pesquise. S√≥ assim abrimos horizontes para novos paradigmas e novos tratamentos n√£o convencionas (por√©m muito funcionais) para uma boa sa√ļde!

Existem v√°rios tipos de jejum, o jejum entre as refei√ß√Ķes, o jejum onde comemos poucos grupos de alimentos ou s√≥ um alimento (monodieta), o jejum l√≠quido e o jejum absoluto. Todos funcionam e levam ao mesmo lugar, mas de maneiras diferentes.

O jejum entre as refei√ß√Ķes ajuda aqueles que n√£o est√£o preparados para um jejum absoluto. √Č mais f√°cil para se acostumarem com a ideia de n√£o comer. Esse tipo de jejum, pode e deve ser feito com frequ√™ncia.

Ficar alguns dias comendo somente vegetais pode ser ben√©fico principalmente para quem andou comendo demais, ou para quem quer mudar o h√°bito alimentar. Ficar entre 3 a 10 dias comendo vegetais cozidos levemente no vapor ou em forma de sopa √© um bom jeito de mudar os h√°bitos alimentares, a sa√ļde e a forma de pensar sobre comida. Comer os vegetais crus, em forma de saladas por exemplo √© mais indicado para quem tem uma constitui√ß√£o mais quente, com excesso de muco, excesso de peso, inflama√ß√Ķes, candid√≠ase, e quer se sentir mais leve. Os vegetais cozidos s√£o mais indicados para aqueles de energia fria e com uma constitui√ß√£o f√≠sica mais leve, fina, magra, pele seca e tend√™ncia a problemas pscicol√≥gicos e nervosos.

A monodieta é feita com o consumo de somente um alimento. Na macrobiótica por exemplo, o jejum de arroz integral ou papa de arroz integral é muito conhecido e explorado. Esse tipo de dieta, por alguns dias, também é uma boa preparação para um jejum absoluto.

O jejum absoluto √© o mais eficiente de todos. Em pouco tempo voc√™ j√° percebe os benef√≠cios de um jejum: melhora do sono, mais sonhos, mais descanso, mais alerta, mais energia, etc. Por√©m, n√£o s√£o todas as pessoas que est√£o aptas a jejuar do dia para a noite. O jejum absoluto √© bom, mas n√£o pra todo mundo, nem em todos os per√≠odos da vida. Assim como comer, n√£o √© sempre que devemos comer de tudo. Diab√©ticos dependentes de insulina e gr√°vidas por exemplo devem preferir seguir uma monodieta, por exemplo.

Para pessoas saud√°veis, sem nenhuma condi√ß√£o relevante de sa√ļde, o jejum √© uma excelente forma de desintoxica√ß√£o. N√£o comer nada, mas beber √°gua ou ch√° por 24, 48 ou 72 horas √© ben√©fico ao organismo. O poder do jejum √© muito grande. Quando o nosso corpo come√ßa a utilizar gordura como uma forma de energia, criamos subst√Ęncias bioqu√≠micas que alimentam o c√©rebro, nos deixando mais alerta e com mais clareza mental. A esta√ß√£o da primavera √© a ideal para se come√ßar um jejum (e ela est√° chegando, hein)!!!

Quando ficarem doente, n√£o pensem em o que devem comer para melhorar, mas sim, no que devem deixar de comer!

Pesquisem mais sobre o ato de jejuar. Os autores: George Oshawa, Tomio Kikuchi, Paul Pitchford e os ensinamentos da Ayurveda, Macrobiótica e Alimentação Viva explicam muito bem sobre esse assunto.

Eu adoro o jejum, sou adepta há alguns anos e me sinto muito bem. Vira e mexe vocês verão textos meus sobre esse incrível método de cura física, mental e espiritual!

Um pequeno relato de mudança

Hoje, o texto n√£o √© meu, e sim da minha amiga, irm√£, comadre, amor da vida inteira que finalmente se abriu para experimentar as mudan√ßas e transforma√ß√Ķes de uma alimenta√ß√£o saud√°vel.

A Ana sempre sofreu muito com alergias, asma, rinite e também sempre soube que o leite e seus derivados não a faziam bem e agravavam seus sintomas. Porém, mesmo sabendo disso, ela continuava a se deliciar com os chocolates ao leite, sorvetes, iogurtes, queijos, tudo que ela adora. Até que algumas semanas atrás ela resolveu enfrentar a sua alergia, o seu temor da vida sem leite e dessa vez sem nada de remédios.

Para a nossa (minha e dela) surpresa e felicidade, ela seguiu a risca as minhas orienta√ß√Ķes e se surpreendeu com os resultados. Esses est√£o relatados no texto abaixo que ela escreveu para mim via e-mail.

“Hoje faz exatamente uma semana que comecei a fazer s√©rio o que me passou, obedecendo as suas restri√ß√Ķes e principalmente, estou sem lactose alguma. Mais do que querer, √© meu dever passar esse relato pra voc√™.

Bela, é incrível Рe um pouco inexplicável Рessa mudança. Estou me sentindo muito mais leve, calma (isso é tão evidente, ainda mais nessa semana que passou que além de caos emocional, teve período menstrual e trabalho puxado), menos ansiosa e mais disposta. O mais perceptível: menos entupida nas vias respiratórias o que significa menos lencinhos de nariz jogados por todos os cantos. O mais legal é ver que o que mudou não demorou para aparecer, só se passaram 7 dias e eu já vejo e, sobretudo, sinto a diferença.

Passei a ter outra rela√ß√£o com a comida. Coincidentemente nessa semana que meu pai foi internado, eu fiquei respons√°vel pelo que eu comia e foi maravilhoso fazer todo o processo: desde ir ao Hortifruti e lojinhas naturais, a escolha dos alimentos, ao modo de preparo, at√© a refei√ß√£o de fato. Em Mo√ßambique cheguei a fazer isso durante meus meses de estadia l√°, mas n√£o com a mesma consci√™ncia de hoje, e √≥bvio, menos op√ß√Ķes de hoje. Talvez porque l√° era muito mais um “pra me alimentar / matar a fome” do que o ato de comer com/para sa√ļde. √Č EXTREMAMENTE necess√°rio fazer todo esse processo: escolher o alimento, olhar (e n√£o s√≥ ver), tocar, sentir o cheiro e a textura, saber a medida da compra para n√£o levar ao desperd√≠cio, separar cada receita no dia e diversificar as cores e sabores diariamente. Me levou a v√°rias constata√ß√Ķes:

A primeira foi perceber o qu√£o somos distantes das nossas alimenta√ß√Ķes quando n√£o realizamos esse processo e isso por si s√≥ desencadeia uma esp√©cie de avalanche alimentar err√īnea. Se voc√™ s√≥ come o que est√° na sua frente voc√™ se submete a comer “qualquer coisa” pelo simples fato de ter que encher a barriga. Nossa classe/era/gera√ß√£o (ou qualquer outro nome que classifique) esteve e est√° acostumado a ter pessoas respons√°veis pela sua comida, seja emprega, seja pais, seja o pr√≥prio restaurante do dia a dia. E voc√™ simplesmente n√£o sabe o que est√° comendo, n√£o sabe o tempero, n√£o sabe o que leva e nem como foi preparado. Da√≠ voc√™ come e n√£o entende a rela√ß√£o que aquilo ali tem com voc√™ a n√£o ser por ser sua refei√ß√£o e dane-se se leva coentro ou manjeric√£o, margarina ou √≥leo, pimenta ou piment√£o, e a l√≥gica acaba sendo “tanto faz, se o sabor √© bom, t√° valendo”. Nessa semana em que decidi, ajudei a preparar e levei comigo minha comida, eu n√£o s√≥ sabia exatamente o que eu comia, como eu passei a comer mais devagar mudando minha rela√ß√£o com a comida – valorizei tudo o que estava ali. Talvez seja por isso que n√£o precisei tanto do lanche da tarde e tampouco senti tanta fome. Em √ļltima an√°lise: os alimentos de fato me alimentavam com o peso nutricional de cada um.

A segunda constata√ß√£o: voc√™ muda a rela√ß√£o com o seu corpo. Passa a entender, a escutar e a senti-lo. A hora da fome, a hora da gula, a hora da “calma, voc√™ n√£o precisa disso”, a hora do “isso n√£o me cai t√£o bem”, a hora do “preciso mais disso”. No nosso mundinho corrido intern√©tico instagramado, o corpo vira objeto de consumo e desejo e esquecemos que ele √© o nosso meio e n√£o o nosso fim. Emagreci 3kg mas n√£o porque quero um projeto ver√£o, e sim porque meu corpo n√£o precisa desses quilos a mais que estavam nele. Tirando a poesia e indo para a pr√°tica: comer saud√°vel e saber comer √© sobretudo ter outra rela√ß√£o com o que o seu corpo – entender o que ele quer e precisa. E isso significa come√ßar a recha√ßar o que n√£o te faz bem – a cervejinha n√£o teve vez, o chocolate da banca de jornal n√£o foi comprado e o queijo n√£o foi comido. A barriga desinchou e a balan√ßa contou 57,5kg.

Por terceiro (e fa√ßo dessa a √ļltima porque hoje √© segunda e tenho que come√ßar a rotina) √© que seus desejos e prazeres caem por terra √Č bizarro e d√° at√© certa raiva saber que at√© “ontem”  – espero – fui escrava de uma ind√ļstria a√ßucareira lactoseana (liberdade po√©tica) e n√£o da hortinha da senhorinha fulana de tal ou da fazenda de cacau do senhor ciclano. Voc√™ acredita piamente que quer algo porque deseja aquilo at√© entender que aquilo ali n√£o te faz bem. E o entendimento s√≥ vem com a nega√ß√£o radical  – tipo o que voc√™ fez pra mim na lista negra do que eu devo evitar. S√≥ quando voc√™ realmente evita √© que voc√™ entende – o seu corpo entende – que n√£o precisa daquilo e que aquilo n√£o vai te dar o prazer que voc√™ acha que te daria. Resultado: a partir do come√ßo da mudan√ßa seus prazeres mudam e seus v√≠cios tamb√©m.

Sei que ainda tenho muito o que mudar e readaptar, mas a diferen√ßa j√° √© evidente. Minhas pr√≥ximas etapas s√£o: fazer feira org√Ęnica (ainda n√£o fui em nenhuma pra fazer compras!), cozinhar e diversificar mais.

Obrigada. Muito obrigada por esse recomeço e por ter tido a paciência da insistência. Vale a pena e vale o relato.

Te amo,

Ana Lycia

obs1: fazer todo o processo do leite de am√™ndoa faz sentido agora, voc√™ n√£o “take for granted” e me ajudou a valorizar ainda mais os alimentos e suas transforma√ß√Ķes.”

A rela√ß√£o entre o leite de vaca e o c√Ęncer de mama

Nos outros posts do blog como: ‚ÄúDesreguladores End√≥crinos” e “Estrog√™nio e o C√Ęncer de Mama” eu escrevi que o estrog√™nio √© um horm√īnio estimulante e que promove o crescimento e reprodu√ß√£o das c√©lulas. E no post “Ser√° que o a√ß√ļcar √© o combust√≠vel das c√©lulas cancerosas”, eu cito um horm√īnio chamado fator de crescimento semelhante √† insulina-1 (IGF-1) que influencia o crescimento das c√©lulas de c√Ęncer. Ent√£o agora eu gostaria de relatar como uma dieta rica em estrog√™nio e IGF -1 pode afetar a sa√ļde e a forma√ß√£o de alguns tipos de c√Ęncer.

O diretor do centro de c√Ęncer da faculdade de medicina de Harvard, Lewis Cantley, afirma que at√© 80% dos c√Ęnceres nos seres humanos s√£o movidos por muta√ß√Ķes e/ou fatores ambientais que aumentam ou imitam o efeito da insulina sobre os tumores. Cantley est√° agora estudando a liga√ß√£o de um gene especifico da sinaliza√ß√£o da insulina (conhecido tecnicamente como PI3K , que √© o gene que ativa o estrog√©nio) e o desenvolvimento de tumores na mama e outros canceres comuns em mulheres.

Alimentos ricos em, ou que aumentam o n√≠vel de IGF-1 e estrog√™nio no sangue, podem aumentar risco de c√Ęncer, principalmente da mama, pulm√£o e c√≥lon. E por coincid√™ncia ou por fatores biol√≥gicos, qual o √© alimento que tem altos n√≠veis de IGF-1 e estrog√™nio ao mesmo tempo ? O LEITE DE VACA !!!

A primeira e mais importante finalidade do leite de vaca √© de prover o crescimento. O bezerro nasce com 30 kg e passa para 300kg em apenas 8 meses. E o principal ingrediente do leite que torna esse r√°pido crescimento poss√≠vel √© o horm√īnio IGF-1. Ent√£o, quando o leite de vaca √© consumido por seres humanos, os n√≠veis de IGF- 1 tamb√©m s√£o elevados. Estudos mostram um aumento de 10 % nos n√≠veis de IGF-1 em adolescentes do sexo feminino que tomavam 3 por√ß√Ķes de leite por dia e o mesmo aumento de 10 % para as mulheres na p√≥s-menopausa que consumiam tr√™s por√ß√Ķes di√°rias de leite desnatado. Este aumento do n√≠vel de IGF-1 √© uma raz√£o importante para os efeitos de “constru√ß√£o √≥ssea” do leite de vaca. Mas o IGF-1 promove tamb√©m o crescimento indesej√°vel do c√Ęncer. Nesse mesmo estudo, mulheres com c√Ęncer de mama apresentaram uma concentra√ß√£o maior de IGF-1 no sangue em compara√ß√£o com mulheres saud√°veis.

 

O leite de vaca tamb√©m aumenta os n√≠veis de estrog√™nio no corpo de uma pessoa. A principal fonte de estrog√™nio est√° na moderna pr√°tica da fabrica√ß√£o do leite. A ind√ļstria ordenha as vacas continuamente durante toda a gesta√ß√£o e o teor de estrog√©nio na vaca aumenta com o progresso da gesta√ß√£o passando de uma concentra√ß√£o de 15pg/ml no come√ßo da gesta√ß√£o para 1000pg/ml no final da gesta√ß√£o.

A Associa√ß√£o Diet√©tica Americana (ADA) relata que o c√Ęncer de mama √© mais prevalente em pa√≠ses onde as mulheres consomem uma dieta com alto teor de gordura e baseada em produtos animais. A gordura saturada das carnes e produtos l√°cteos aumenta o risco de c√Ęncer de mama, porque as c√©lulas adiposas produzem estrog√™nio, portanto, quanto mais gordura uma mulher tiver, mais estrog√™nio ela √© estar√° fabricando no seu corpo, mesmo depois da menopausa.

No ‚ÄúAmerican Journal of Clinical Nutrition‚ÄĚ, Patricia Moorman apresentou algumas hip√≥teses sobre como o leite est√° relacionado ao c√Ęncer de mama. Aqui est√£o alguns pontos do artigo que resume muito bem a rela√ß√£o entre o consumo de leite e c√Ęncer de mama:

    – “Uma vaca gr√°vida produz estrog√™nio extra que acaba em seu leite e o excesso de estrog√™nio √© conhecido por fazer as c√©lulas de c√Ęncer de mama se multiplicar.”

    – “Gordura no leite provoca a libera√ß√£o excessiva de estrog√™nio no corpo da mulher.”

   –  “Fibra ajuda a o estrog√™nio do organismo, e o leite n√£o cont√©m fibras.”

    – “O leite materno , seja humano ou de vaca , ajuda o pequeno beb√™ a crescer rapidamente. √Č poss√≠vel que os fatores de crescimento do leite, tais como o IGF -1, estimulem o crescimento de c√©lulas cancerosas. Em um teste feito com tubos de ensaio, o IGF -1 pareceu acelerar o crescimento das c√©lulas de c√Ęncer de mama , e ele pode ser mais potente do que o estrog√©nio, nesse sentido.  Agora as vacas tamb√©m recebem o horm√īnio de crescimento bovino (BGH) para aumentarem sua produ√ß√£o de leite e elas acabem produzindo em m√©dia 2 a 4 vezes mais IGF-1 do que as vacas que n√£o tomam horm√īnio.”

    – “O leite tamb√©m cont√©m pesticidas e poluentes industriais. Mortes por c√Ęncer de mama em Israel diminuiu quando tr√™s agentes cancer√≠genos encontrados no leite de Israel foram proibidos.“